Falávamos aqui há pouco tempo sobre o incidente ocorrido entre o órgão regulador do setor elétrico e as empresas, que teria resultado em cobranças indevidas em sua conta de luz.
Dizia eu - penso que as empresas têm razão. Agora, após esse apagão que houve no sul e sudeste, mais ainda. Estava eu, por curiosidade dentro de um elevador em São Paulo quando ocorreu, e tive por isso uns longos minutos para pensar no que escrever para vocês.
Mas o que isso tem a ver com os gastos públicos, e mais ainda, com você ?
O ponto é o seguinte: não se governa com total descaso pelas contas públicas por oito anos sem que a fatura chegue, e ela vai chegar. Havendo continuísmo ou não.
Vou dizer aqui o que nossos gestores públicos não fizeram nos últimos anos: não melhoraram a gestão. Não buscaram eficiência. Não priorizaram investimentos em infra-estrutura. Não equacionaram o déficit da Previdência. Não modernizaram os portos. Não melhoraram a burocracia. Não investiram na saúde e na educação.
Por outro lado, o que fez com o aumento da carga tributária e com o crescimento do volume arrecadado com impostos sobre a atividade econômica aquecida ? aumentou-se a presença do Estado na economia. Aumentaram os gastos com custeio. Nunca na história deste país, nossos servidores públicos ganharam tanto dinheiro. Nada contra, (são seguramente competentes) se o resultado do seu trabalho fosse a melhoria dos serviços à população, e não é isso que se vê. O que se vê é uma burocracia kafkiana, que em nome o "interesse público" sempre cria novas razões para sua "existência em função de si mesmo".
Não vou nem posso omitir o que de positivo os nossos gestores públicos fizeram quanto à extensa rede de proteção social criada, ou mesmo quanto à condução da crise.
Mas posso dizer que se não fosse a sangria dos nossos impostos, nosso país seguramente estaria muito melhor hoje.
Os gastos públicos têm influência direta em sua vida. O dinheiro gasto pelo governo é um forte indutor do crescimento econômico. Em ciência econômica há um conceito denominado "efeito multiplicador", uma equação que busca medir quanto uma determinada quantidade de moeda gasta pelo governo gera, ou multiplica-se para o ambiente econômico como um todo.
E nisso, nossos gestores acertaram fortemente. Usaram uma máquina pública relativamente saneada para criar a primeira "centelha" que acendeu o pavio do crescimento. Estimularam o crédito através dos bancos oficiais. Mas agora, a economia precisa de outro tipo de gasto: o investimento. A renda que se paga ao nosso hoje excessivo funcionalismo público não retorna para a economia, por outro motivo econômico simples - pela baixa "propensão marginal ao consumo" das classes sociais altamente remuneradas.
O que é isso ? seguinte - pense em sua casa. Ela tem sala e dois quartos. Você ganha X que lhe permite comer, habitar, ir e vir, e sobra algo para comprar. Você compra a primeira TV e põe na sala. Um ano depois, pagou as prestações, compra a segunda TV. Põe no quarto. Se você gostar tanto assim de TV, põe a terceira no último quarto. E agora ? não há mais cômodos para preencher. Você vai pegar o próximo dinheiro que sobra e o põe na poupança ou vai para o exterior. Em ambos os casos, a economia não produzirá mais TV´s para você.
Nossos gestores, de agora em diante, deveriam deixar o setor privado investir, reduzindo tributos, burocracia, deveriam investir mais na infra-estrutura, em obras públicas, e isso só se faz com dinheiro. Que não cresce em árvores.
Ao final do pavio que foi aceso pode estar literalmente uma bomba. Ou se dermos sorte, um apagão.
Um pensador já dizia que, quando se tem um governo socialista, não se deve preocupar sobre quanto ao "que" ele vai fazer, mas "quanto" vai custar.